Era certo que tudo não passava de um grande engano. É verdade foi que não foi eterno enquanto durou, porem intenso enquanto durou, como toda paixão e desejo devem ser.
De tudo e nada se fez um verbo, que com certeza não se conjuga amor, ausência total de um sentimento maior, que não fosse a perversidade de algo extremamente carnal, dois corpos se encontravam, se tocavam e depois restava simplesmente um tchau.
Não que reclame do ato carnal, muitas vezes se faz necessário, mas neste palco não me faz necessário ato tal.
Precisava então de um ato sublime, e ele me apareceu com aquele verso singelo, que surgiu no meio da tarde, e o que antes não fazia sentido em sua boca fez-se todo o mal: Que seja intenso enquanto dure, e assim permaneceu, intenso, intocável e inalterado, intenso amor de um inicio de tarde.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Sexos
Apoteótico são teus olhos, menino da pele clara de barba inexistente e que na verdade este sexo não te faz presente. E as manhãs de verão antes tão claras tornaram-se tão escuras a ponto de não mais enxergar o que não sejas tu paixão. E tudo o que toco quando não esta aqui é frio e arenoso, e minhas mãos clamam por tua pele, então, me diz o que faço com esse desalento, me diz o que faço sem você então? A ultima curva é aberta e já consigo ver o fim, por fim, enfim.
Passos largos
Ando a passos largos buscando te encontrar
Nas esquinas por onde passo você não deve estar
E por hora menina deixa estar.
Quem sabe na sala de estar?
Quem sabe calçando seu all star?
As flores de maracujá brotam na janela
Com seu significado peculiar
Coração partido
Exalando sua tristeza, pelo ar.
Mas deixe estar
Pelos vagos vagões dos trens que não andei
Pelos pêlos de quem não transei
Onde está?
A ferida que não cicatrizei por tanto cutucar
A menina que tanto amei, onde foi parar?
Ali logo esta: Onde o vento fez a curva vou te encontrar!
Nas esquinas por onde passo você não deve estar
E por hora menina deixa estar.
Quem sabe na sala de estar?
Quem sabe calçando seu all star?
As flores de maracujá brotam na janela
Com seu significado peculiar
Coração partido
Exalando sua tristeza, pelo ar.
Mas deixe estar
Pelos vagos vagões dos trens que não andei
Pelos pêlos de quem não transei
Onde está?
A ferida que não cicatrizei por tanto cutucar
A menina que tanto amei, onde foi parar?
Ali logo esta: Onde o vento fez a curva vou te encontrar!
sábado, 20 de novembro de 2010
Com sua licença poética.

Tantas linhas escritas, loucuras, devaneios, tentativas frustradas de nem eu mesmo sei o que. Fui, voltei, fiquei em um estado tão meio que normal, tão quietude dentro de uma inquietude quase sem noção.
Não sei o que faço aqui, parece que este lugar não me pertence, e os laços que me prendem são tão frágeis, que caso ouse simplesmente abrir os braços eles se partem, e quem me prendeu, nessas algemas de algodão, parece quase não se importar que eu me vá para longe, como quem sonha que fique por própria vontade.
Mas minhas vontades, são tão cheias de vontades e que se for realmente pra me prender deveria ter me deixado livre desde o inicio, ou de imediato por amordaças e algemas eficazes, e assim eu seria e ficaria para sempre.
Mas não convém uma prisão em caixas de papel, não convém uma liberdade aprisionada ao desejo de nem sei o que.
Aqueles beijos me calam por um instante, mas depois se abre um buraco, uma imensidão, entre dois corpos duas vidas, que só se tornam suficientes diante a presença concreta do outro ser, depois é apenas uma hipótese.
Hipótese de amor, de vida, de tentativa frustrada sobre o que não vai dar certo. O futuro está aqui na minha frente diante o próximo passo, e não sei se me cabe tanta desconfiança, na segurança desta prisão.
Portanto peço a ti sua licença, pra poder conjugar meus verbos, mas peço também agora a sua decisão, libertar ou aprisionar, depois disto terei minha licença poética, poderei falar de amor ou dor, poderei ter o que não tenho e abandonar o que ainda me basta.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Do que adianta?
Do que me adianta olhares escuros e turvos, se agora tenho um olhar claro e límpido?
Do que me adianta tantas palavras, quando o silêncio me disse tudo?
Do que adiantava tantas noites um céu estrelado, se não tinha uma estrela brilhando ao meu lado, para mim e por mim?
Pausar, Parar, estagnar... Faço em nome do destino que escrevo, na hora que não estava a procurar.
Do que me adianta tantas palavras, quando o silêncio me disse tudo?
Do que adiantava tantas noites um céu estrelado, se não tinha uma estrela brilhando ao meu lado, para mim e por mim?
Pausar, Parar, estagnar... Faço em nome do destino que escrevo, na hora que não estava a procurar.
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Acordes
Quando me acordares com teus acordes, mantenha-me num sonho bom, em um sonho de realidade em que me reduza ao pó, pois no pó somos iguais, sem oposto, sem impostos, sem ninguém mais.
Quando me acordares na manha seguinte, conta até vinte, abrirei meus olhos com vontade e irei ver teu rosto lindo sorrindo pra mim.
E na outra manhã inventa, fica a vontade, eu sou tua metade, sou uma maça que mordes com vontade, com uma febre terçã.
Tem todas as manhãs tem todos os dias, e com alegria te quero junto a mim, mas espero que daqui a três anos, não troque de panos e pense que foi um engano me ter todas manhas.
E enquanto tarde te digo: espero a noite me chegar como abrigo, teus braços e meus abraços se encontrarem até que chegue a hora de acordar e quando me acordares...
Quando me acordares na manha seguinte, conta até vinte, abrirei meus olhos com vontade e irei ver teu rosto lindo sorrindo pra mim.
E na outra manhã inventa, fica a vontade, eu sou tua metade, sou uma maça que mordes com vontade, com uma febre terçã.
Tem todas as manhãs tem todos os dias, e com alegria te quero junto a mim, mas espero que daqui a três anos, não troque de panos e pense que foi um engano me ter todas manhas.
E enquanto tarde te digo: espero a noite me chegar como abrigo, teus braços e meus abraços se encontrarem até que chegue a hora de acordar e quando me acordares...
Sem titulo
Os olhos que me despertaram de um sono quase eterno, foram os mesmos que me acorrentaram dentro de um poço profundo. Da inquietação do meu ser se fez meu adoecer, desde o dia que ousei olhar aqueles olhos, olhos que pareciam tristes, mas que tinham uma força que não se sabia antes. E eu por azar ou por sorte, despertei essa força em direção a mim.
Esta força que outrora adormecia dentro de uma tristeza, se voltou para mim quase que por me destruir, pois o olhar que me nutria, junto a um tom doce de uma voz que ecoava, se perdeu dentro da noite em que a boca foi beijada.
Juro que não sabia, aqueles olhos agora me consumiam, tirou a paz de mim, me roubando de forma lasciva e nociva do meu eu centrado, os olhos de tristeza agora possui sua força real, um olhar destruidor e apoderador.
Por menos de uma semana, ele realmente se mostrou depois de um beijo, mas sinto que posso sair o olhar às vezes desvia, e por um segundo, um segundo que me resta sei que posso sair, e até me redimir, trarei a tristeza novamente para aqueles olhos, a força ira então adormecer e eu por minha vez voltarei a viver.
Esta força que outrora adormecia dentro de uma tristeza, se voltou para mim quase que por me destruir, pois o olhar que me nutria, junto a um tom doce de uma voz que ecoava, se perdeu dentro da noite em que a boca foi beijada.
Juro que não sabia, aqueles olhos agora me consumiam, tirou a paz de mim, me roubando de forma lasciva e nociva do meu eu centrado, os olhos de tristeza agora possui sua força real, um olhar destruidor e apoderador.
Por menos de uma semana, ele realmente se mostrou depois de um beijo, mas sinto que posso sair o olhar às vezes desvia, e por um segundo, um segundo que me resta sei que posso sair, e até me redimir, trarei a tristeza novamente para aqueles olhos, a força ira então adormecer e eu por minha vez voltarei a viver.
Cansaço
De todo o cansaço e de todo o dia que trago em minha costas, não deixei te levar por um milésimo de segundos sequer em meu peito. Carrego-te comigo como escudo a me proteger, carrego-te como canção, como prece... Carrego-te comigo sem peso, mas com leveza que me faz flutuar, e apesar de todo o cansaço sem ti sei que nem me ergueria, pois se trabalho é apenas pra poder te contemplar uma hora, pra preencher esse tempo vazio de tua presença e a noite quando chego assim cansada vou deitar-me para te encontrar em meus sonhos e diminuir este tempo que me afasta de ti.
terça-feira, 27 de julho de 2010
Ecoar
Cascais, pedras e folhas ao vento, não são apenas ruas, são ruínas do tempo, aqui ficou toda minha felicidade, carinhos e destreza e no caminho me restou uma amarga solidão embalada por velhos murmúrios daquela rua.
Naquela rua habitava meu amor carregando aquele jarro na cabeça descendo a ladeira e cantando o que dizia nosso amor. Eu mais embaixo em um velho botequim lhe esperava todas as manhãs, só pra ver cantar e pra logo em seguida continuar a canção.
Quando passava ela dizia: Hoje é um novo dia e com ele renasce essa paixão, vem segue a melodia até não me ver mais o rio já está próximo então cante, cante mais alto para te ouvir até subir novamente.
Eu no meio da ladeira já quando quase não a ouvia lhe dizia gritando: um dia te tiro daqui, te levo pra mais longe deixa mais um raiar do dia fujo contigo daqui.
Até que consegui, arranquei-a da rua que embalava nosso amor, por mais que fosse simples a canção, o momento era o que nos trazia felicidade, mas mal sabia eu, pobre coitado, tirei ela de lá, dei-lhe uma vida que quase não pude dar.
Enquanto trabalhava ela ficava a me esperar, e o tempo foi passando, ela não estava agüentar,ela queria voltar para aquela rua, mas eu não quis voltar.
Ela então partiu, por orgulho fiquei, tentei lhe dar felicidade, mas na verdade nada lhe dei, o tempo passou vinte anos depois volto aqui e vejo que nada sobrou, apenas a canção que ecoa, estou no mesmo canto que a esperava, com esperança de vê-la descendo com o jarro na cabeça, dizendo que um novo dia raiou.
Naquela rua habitava meu amor carregando aquele jarro na cabeça descendo a ladeira e cantando o que dizia nosso amor. Eu mais embaixo em um velho botequim lhe esperava todas as manhãs, só pra ver cantar e pra logo em seguida continuar a canção.
Quando passava ela dizia: Hoje é um novo dia e com ele renasce essa paixão, vem segue a melodia até não me ver mais o rio já está próximo então cante, cante mais alto para te ouvir até subir novamente.
Eu no meio da ladeira já quando quase não a ouvia lhe dizia gritando: um dia te tiro daqui, te levo pra mais longe deixa mais um raiar do dia fujo contigo daqui.
Até que consegui, arranquei-a da rua que embalava nosso amor, por mais que fosse simples a canção, o momento era o que nos trazia felicidade, mas mal sabia eu, pobre coitado, tirei ela de lá, dei-lhe uma vida que quase não pude dar.
Enquanto trabalhava ela ficava a me esperar, e o tempo foi passando, ela não estava agüentar,ela queria voltar para aquela rua, mas eu não quis voltar.
Ela então partiu, por orgulho fiquei, tentei lhe dar felicidade, mas na verdade nada lhe dei, o tempo passou vinte anos depois volto aqui e vejo que nada sobrou, apenas a canção que ecoa, estou no mesmo canto que a esperava, com esperança de vê-la descendo com o jarro na cabeça, dizendo que um novo dia raiou.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Ampulheta
Quando a ampulheta ousou cair o último grão de areia
Percebi que o tempo já havia passado
Calcei meus sapatos e andei
Andei sem tempo para correr
Andei sem tempo para me esconder
Mas não, não havia uma chance se quer de resgatar
Não havia uma chance de tocar
Com o ultimo grão ela se foi completamente
E eu nem uma vez tentar quebrar
Aquele delicado objeto que me afastava dela
Sei que não posso reclamar,
Na ciranda do tempo ela se foi
Sumiu quase imperceptivelmente
Porém, agora sinto o ultimo grão de areia ecoando dentro de mim.
Percebi que o tempo já havia passado
Calcei meus sapatos e andei
Andei sem tempo para correr
Andei sem tempo para me esconder
Mas não, não havia uma chance se quer de resgatar
Não havia uma chance de tocar
Com o ultimo grão ela se foi completamente
E eu nem uma vez tentar quebrar
Aquele delicado objeto que me afastava dela
Sei que não posso reclamar,
Na ciranda do tempo ela se foi
Sumiu quase imperceptivelmente
Porém, agora sinto o ultimo grão de areia ecoando dentro de mim.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Sobre o amor - Ferreira Gullar
Houve uma época em que eu pensava que as pessoas deviam ter um gatilho na garganta: quando pronunciasse — eu te amo —, mentindo, o gatilho disparava e elas explodiam. Era uma defesa intolerante contra os levianos e que refletia sem dúvida uma enorme insegurança de seu inventor. Insegurança e inexperiência. Com o passar dos anos a idéia foi abandonada, a vida revelou-me sua complexidade, suas nuanças. Aprendi que não é tão fácil dizer eu te amo sem pelo menos achar que ama e, quando a pessoa mente, a outra percebe, e se não percebe é porque não quer perceber, isto é: quer acreditar na mentira. Claro, tem gente que quer ouvir essa expressão mesmo sabendo que é mentira. O mentiroso, nesses casos, não merece punição alguma.
Por aí já se vê como esse negócio de amor é complicado e de contornos imprecisos. Pode-se dizer, no entanto, que o amor é um sentimento radical — falo do amor-paixão — e é isso que aumenta a complicação. Como pode uma coisa ambígua e duvidosa ganhar a fúria das tempestades? Mas essa é a natureza do amor, comparável à do vento: fluido e arrasador. É como o vento, também às vezes doce, brando, claro, bailando alegre em torno de seu oculto núcleo de fogo.
O amor é, portanto, na sua origem, liberação e aventura. Por definição, anti-burguês. O próprio da vida burguesa não é o amor, é o casamento, que é o amor institucionalizado, disciplinado, integrado na sociedade. O casamento é um contrato: duas pessoas se conhecem, se gostam, se sentem a traídas uma pela outra e decidem viver juntas. Isso poderia ser uma COisa simples, mas não é, pois há que se inserir na ordem social, definir direitos e deveres perante os homens e até perante Deus. Carimbado e abençoado, o novo casal inicia sua vida entre beijos e sorrisos. E risos e risinhos dos maledicentes. Por maior que tenha sido a paixão inicial, o impulso que os levou à pretoria ou ao altar (ou a ambos), a simples assinatura do contrato já muda tudo. Com o casamento o amor sai do marginalismo, da atmosfera romântica que o envolvia, para entrar nos trilhos da institucionalidade. Torna-se grave. Agora é construir um lar, gerar filhos, criá-los, educá-los até que, adultos, abandonem a casa para fazer sua própria vida. Ou seja: se corre tudo bem, corre tudo mal. Mas, não radicalizemos: há exceções — e dessas exceções vive a nossa irrenunciável esperança.
Conheci uma mulher que costumava dizer: não há amor que resista ao tanque de lavar (ou à máquina, mesmo), ao espanador e ao bife com fritas. Ela possivelmente exagerava, mas com razão, porque tinha uns olhos ávidos e brilhantes e um coração ansioso. Ouvia o vento rumorejar nas árvores do parque, à tarde incendiando as nuvens e imaginava quanta vida, quanta aventura estaria se desenrolando naquele momento nos bares, nos cafés, nos bairros distantes. À sua volta certamente não acontecia nada: as pessoas em suas respectivas casas estavam apenas morando, sofrendo uma vida igual à sua. Essa inquietação bovariana prepara o caminho da aventura, que nem sempre acontece. Mas dificilmente deixa de acontecer. Pode não acontecer a aventUra sonhada, o amor louco, o sonho que arrebata e funda o paraíso na terra. Acontece o vulgar adultério - o assim chamado -, que é quase sempre decepcionante, condenado, amargo e que se transforma numa espécie de vingança contra a mediocridade da vida. É como uma droga que se toma para curar a ansiedade e reajustar-se ao status quo. Estou curada, ela então se diz — e volta ao bife com fritas.
Mas às vezes não é assim. Às vezes o sonho vem, baixa das nuvens em fogo e pousa aos teus pés um candelabro cintilante. Dura uma tarde? Uma semana? Um mês? Pode durar um ano, dois até, desde que as dificuldades sejam de proporção suficiente para manter vivo o desafio e não tão duras que acovardem os amantes. Para isso, o fundamental é saber que tudo vai acabar. O verdadeiro amor é suicida. O amor, para atingir a ignição máxima, a entrega total, deve estar condenado: a consciência da precariedade da relação possibilita mergulhar nela de corpo e alma, vivê-la enquanto morre e morrê-la enquanto vive, como numa desvairada montanha-russa, até que, de repente, acaba. E é necessário que acabe como começou, de golpe, cortado rente na carne, entre soluços, querendo e não querendo que acabe, pois o espírito humano não comporta tanta realidade, como falou um poeta maior. E enxugados os olhos, aberta a janela, lá estão as mesmas nuvens rolando lentas e sem barulho pelo céu deserto de anjos. O alívio se confunde com o vazio, e você agora prefere morrer.
A barra é pesada. Quem conheceu o delírio dificilmente se habitua à antiga banalidade. Foi Gogol, no Inspetor Geral quem captou a decepção desse despertar. O falso inspetor mergulhara na fascinante impostura que lhe possibilitou uma vida de sonho: homenagens, bajulações, dinheiro e até o amor da mulher e da filha do prefeito. Eis senão quando chega o criado, trazendo-lhe o chapéu e o capote ordinário, signos da sua vida real, e lhe diz que está na hora de ir-se pois o verdadeiro inspetor está para chegar. Ele se assusta: mas então está tUdo acabado? Não era verdade o sonho? E assim é: a mais delirante paixão, terminada, deixa esse sabor de impostura na boca, como se a felicidade não pudesse ser verdade. E no entanto o foi, e tanto que é impossível continuar vivendo agora, sem ela, normalmente. Ou, como diz Chico Buarque: sofrendo normalmente.
Evaporado o fantasma, reaparece em sua banal realidade o guardaroupa, a cômoda, a camisa usada na cadeira, os chinelos. E tUdo impregnado da ausência do sonho, que é agora uma agulha escondida em cada objeto, e te fere, inesperadamente, quando abres a gaveta, o livro. E te fere não porque ali esteja o sonho ainda, mas exatamente porque já não está: esteve. Sais para o trabalho, que é preciso esquecer, afundar no dia-a-dia, na rotina do dia, tolerar o passar das horas, a conversa burra, o cafezinho, as notícias do jornal. Edifícios, ruas, avenidas, lojas, cinema, aeroportos, ônibus, carrocinhas de sorvete: o mundo é um incomensurável amontoado de inutilidades. E de repente o táxi que te leva por uma rua onde a memória do sonho paira como um perfume. Que fazer? Desviar-se dessas ruas, ocultar os objetos ou, pelo contrário, expor-se a tudo, sofrer tudo de uma vez e habituarse? Mais dia menos dia toda a lembrança se apaga e te surpreendes gargalhando, a vida vibrando outra vez, nova, na garganta, sem culpa nem desculpa. E chegas a pensar: quantas manhãs como esta perdi burramente! O amor é uma doença como outra qualquer.
E é verdade. Uma doença ou pelo menos uma anormalidade. Como pode acontecer que, subitamente, num mundo cheio de pessoas, alguém meta na cabeça que só existe fulano ou fulana, que é impossível viver sem essa pessoa? E reparando bem, tirando o rosto que era lindo, o corpo não era lá essas coisas... Na cama era regular, mas no papo um saco, e mentia, dizia tolices, e pensar que quase morro!...
Isso dizes agora, comendo um bife com fritas diante do espetáculo vesperal dos cúmulos e nimbos. Em paz com a vida. Ou não.
extraído do livro "A estranha vida banal".
Menino
Você não sabe, mas, você já faz parte dos meus sonhos e quase sem querer de mim.
Você não sabe, mas eu acabo por me sentir assim, com um frio, em colapso, um treco nervoso dentro de mim.
Parece até coisa de colegial assistindo comercial, associando a si, não sei se é tão normal o querer tanto assim.
Hoje olhei no jornal um fato tão banal que me fez até rir, por um segundo eu até te esqueci, ou pelo menos pensei!
Eu não sei se você sabe, mas eu não sei o que fez ficar assim. Eu rodo todos os lugares falo com pessoas, mas não estou tão ai.
E no final da canção que dizia o que sentia, ninguém entendeu, pois ninguém sentiu o que eu sinto, é como se o orvalho molhasse meu rosto, como se o vinho me libertasse, é como se você estivesse em mim.
Passos largos
Ando a passos largos buscando te encontrar
Nas esquinas por onde passo você não deve estar
E por hora menina deixa estar.
Quem sabe na sala de estar?
Quem sabe calçando seu all star?
As flores de maracujá brotam na janela
Com seu significado peculiar
Coração partido
Exalando sua tristeza, pelo ar.
Mas deixe estar
Pelos vagos vagões dos trens que não andei
Pelos pêlos de quem não transei
Onde está?
A ferida que não cicatrizei por tanto cutucar
A menina que tanto amei, onde foi parar?
Ali logo esta: Onde o vento fez a curva vou te encontrar!
Nas esquinas por onde passo você não deve estar
E por hora menina deixa estar.
Quem sabe na sala de estar?
Quem sabe calçando seu all star?
As flores de maracujá brotam na janela
Com seu significado peculiar
Coração partido
Exalando sua tristeza, pelo ar.
Mas deixe estar
Pelos vagos vagões dos trens que não andei
Pelos pêlos de quem não transei
Onde está?
A ferida que não cicatrizei por tanto cutucar
A menina que tanto amei, onde foi parar?
Ali logo esta: Onde o vento fez a curva vou te encontrar!
domingo, 11 de julho de 2010
Baby
Baby, nosso amor é coca cola
Às vezes pede, noutra implora
Com demora trás pesar
Baby, hoje coloquei nos jornais
Que sem você não vivo mais
Estar sem ti me tira a paz
Não é praga, nem lampejo
Há fervor, mas é amor
O que sinto é verdadeiro,
Não é passageiro,
Tão pouco coisa de colecionador (sedutor)
Baby, já me senti tão cansado
Agora me entrego em teus braços
Como as meninas do riacho
Se entregam ao prosador
Não é praga, nem lampejo
Há fervor, mas é amor
O que sinto é verdadeiro,
Não é passageiro,
Tão pouco coisa de colecionador (sedutor)
Às vezes pede, noutra implora
Com demora trás pesar
Baby, hoje coloquei nos jornais
Que sem você não vivo mais
Estar sem ti me tira a paz
Não é praga, nem lampejo
Há fervor, mas é amor
O que sinto é verdadeiro,
Não é passageiro,
Tão pouco coisa de colecionador (sedutor)
Baby, já me senti tão cansado
Agora me entrego em teus braços
Como as meninas do riacho
Se entregam ao prosador
Não é praga, nem lampejo
Há fervor, mas é amor
O que sinto é verdadeiro,
Não é passageiro,
Tão pouco coisa de colecionador (sedutor)
Ulisses
Menino de voz mansa me amansa na manhã
Com o gosto da maça na boca
Com tua voz terçã
Me arranca suspiros
Me faz imaginar
O dia lindo
e tudo de bom que virá
Menino da voz mansa que assim faz ninar
Me mostra a ave branca e o som do sabiá
Me faz mais uma vez criança despertar.
Com o gosto da maça na boca
Com tua voz terçã
Me arranca suspiros
Me faz imaginar
O dia lindo
e tudo de bom que virá
Menino da voz mansa que assim faz ninar
Me mostra a ave branca e o som do sabiá
Me faz mais uma vez criança despertar.
Conto sobre mim
Você está só, desde a semana passada, para ser mais especifico desde a quarta feira... Busca o equilíbrio, mas não consegue, pois a cama ainda está desarrumada e o lençol caído no chão lhe faz lembrar daquele rosto rígido e narcísico. Quem sou eu, você se pergunta? Só me escuta? Ande três passos para seu lado direito, me vê agora sou sua imagem, eu sou você. Posso te afirmar, sou tua consciência ou melhor seu inconsciente aflorando, estou aqui todos os dias, mas você nunca me percebeu tão severamente, ia se deixando levar pelos outros, ia vivendo uma vida que não era sua... Agora que esta vida parece estar em desequilíbrio se vê. Quem sabe talvez precise de um pouco mais de fé? Vá igreja, você pode ter mais de uma visão se realmente buscar algo! Saia de cima do muro, distancie-se do que eles acham, acolha-se não precisa de tanto medo, desde quando não é mais criança seu sorriso ficou falho, se espalha pelo chão a noite e chora, chora, chora agora! torne-se quem é: ouse, deixe fluir, fique do seu lado. Não se sinta dentro do mar,sinta-se tela branca e deixe-se pintar por Michelangelo e Picasso. Perca o medo da entrega. Aceite-se ele está a sua espera, sexo não é nada quando comparado ao amor... deixe que ele bagunce sua cama todos os dias, deixe que ele arrume sua vida!
inter-estelares
Foguetes inter-estelares, imperceptíveis aos olhos... Amores inter-estelares também imperceptíveis... Os dois carregam lembranças e trazem consigo versos improvisados de esperança, que foram recitados na primavera e guardado para sempre na ciranda dos dias... Na memória momentos e intenções nunca decifradas e dentro da realidade sombras, luzes e movimentos clássicos se misturavam a música que alimentava a alma...
“Desarte”
Nas feridas abrigam a arte de torturar, e o doce amargo de amar. E no desastre de estar encontro-me a te esperar. É arte, é desastre é a desarte da desgraça de amar e amargar, dentro de mim esta quem não enxerga, dentro de mim está quem não me espera e de parte em parte me arranca cada vez mais para dentro de si.
Reprise
Tudo é uma reprise mal feita do que já se foi visto antes. Ana dizia que TV em cores já não existia tudo voltou ao antigo, como uma forma tão normal, mas em uma versão tão mal feita!
Mas que coisa Ana de onde tirará tanta baboseira?
Ana então dizia que o desejo se confundiu com a saudade, e que quanto mais se tenta criar, nós voltávamos quase ao principio dos tempos. Parecia que nada era novo, até o português do Brasil, se voltou para Portugal. E assim continuou Ana, que da discussão do novo não mais existente, algo lhe consumia: a vontade, a saudade e um desejo permanente.
Lá pelas tantas ela continua a pensar, pensar tão alto, que gritava suas duvidas. Dizia: Como confundir, desejo, vontade e saudade? Cada um tem seu significado, mas é quase impossível não trabalharem juntos, se o homem lhe faltasse o ar morreria, na saudade existe o desejo, se não existisse, a saudade morreria pouco a pouco.
Então querido narrador, nada mais sou, do que a própria saudade que me consome dentro do desejo, desejo de... É melhor nem dizer, é tanta saudade, e eu desejo, desejo sem saudade que a mesma acabe.
Não, nem me diga que é contradição, logo de antemão explico-te, tudo voltou, voltou de forma errada, e o que deixou de ser criado deu espaço há algo abstrato, e o que foi tentado criar ficou tão mal feito, que me entrou a saudade no peito! E o desejo me consumiu, com a vontade de criar algo que acabasse com tudo o que foi mal feito, mesmo que estagnasse o branco e o preto, o gordo e o magro seriam sempre bem feitos.
Mas que coisa Ana de onde tirará tanta baboseira?
Ana então dizia que o desejo se confundiu com a saudade, e que quanto mais se tenta criar, nós voltávamos quase ao principio dos tempos. Parecia que nada era novo, até o português do Brasil, se voltou para Portugal. E assim continuou Ana, que da discussão do novo não mais existente, algo lhe consumia: a vontade, a saudade e um desejo permanente.
Lá pelas tantas ela continua a pensar, pensar tão alto, que gritava suas duvidas. Dizia: Como confundir, desejo, vontade e saudade? Cada um tem seu significado, mas é quase impossível não trabalharem juntos, se o homem lhe faltasse o ar morreria, na saudade existe o desejo, se não existisse, a saudade morreria pouco a pouco.
Então querido narrador, nada mais sou, do que a própria saudade que me consome dentro do desejo, desejo de... É melhor nem dizer, é tanta saudade, e eu desejo, desejo sem saudade que a mesma acabe.
Não, nem me diga que é contradição, logo de antemão explico-te, tudo voltou, voltou de forma errada, e o que deixou de ser criado deu espaço há algo abstrato, e o que foi tentado criar ficou tão mal feito, que me entrou a saudade no peito! E o desejo me consumiu, com a vontade de criar algo que acabasse com tudo o que foi mal feito, mesmo que estagnasse o branco e o preto, o gordo e o magro seriam sempre bem feitos.
Sem titulo
Os olhos que me despertaram de um sono quase eterno, foram os mesmos que me acorrentaram dentro de um poço profundo. Da inquietação do meu ser se fez meu adoecer, desde o dia que ousei olhar aqueles olhos, olhos que pareciam tristes, mas que tinham uma força que não se sabia antes. E eu por azar ou por sorte, despertei essa força em direção a mim.
Esta força que outrora adormecia dentro de uma tristeza, se voltou para mim quase que por me destruir, pois o olhar que me nutria, junto a um tom doce de uma voz que ecoava, se perdeu dentro da noite em que a boca foi beijada.
Juro que não sabia, aqueles olhos agora me consumiam, tirou a paz de mim, me roubando de forma lasciva e nociva do meu eu centrado, os olhos de tristeza agora possui sua força real, um olhar destruidor e apoderador.
Por menos de uma semana, ele realmente se mostrou depois de um beijo, mas sinto que posso sair o olhar às vezes desvia, e por um segundo, um segundo que me resta sei que posso sair, e até me redimir, trarei a tristeza novamente aqueles olhos, a força ira adormecer e eu por minha vez voltarei a viver.
Esta força que outrora adormecia dentro de uma tristeza, se voltou para mim quase que por me destruir, pois o olhar que me nutria, junto a um tom doce de uma voz que ecoava, se perdeu dentro da noite em que a boca foi beijada.
Juro que não sabia, aqueles olhos agora me consumiam, tirou a paz de mim, me roubando de forma lasciva e nociva do meu eu centrado, os olhos de tristeza agora possui sua força real, um olhar destruidor e apoderador.
Por menos de uma semana, ele realmente se mostrou depois de um beijo, mas sinto que posso sair o olhar às vezes desvia, e por um segundo, um segundo que me resta sei que posso sair, e até me redimir, trarei a tristeza novamente aqueles olhos, a força ira adormecer e eu por minha vez voltarei a viver.
terça-feira, 15 de junho de 2010
Sonhos Laranja
Nos sonhos laranja cheio de vida e intransferíveis, você me apareceu,
Com uma imagem ainda não tão nítida, mas com palavras que mais pareciam mel, que descem do favo encantando a alma do ser mais cruel. Cada palavra e cada sorriso, embalado com a canção ao fundo, faz me sentir como se borboletas voassem perto de mim, tocando delicadamente com suas asas minha barriga. Aos poucos a manhã chega, e junto a ela o café vem aquecer e tirar o vazio que ficou logo após o meu acordar, espero que chegue a noite espero você voltar, enquanto isso penso em ti com carinho e anseio com um desejo do sonho não mais acabar!
Com uma imagem ainda não tão nítida, mas com palavras que mais pareciam mel, que descem do favo encantando a alma do ser mais cruel. Cada palavra e cada sorriso, embalado com a canção ao fundo, faz me sentir como se borboletas voassem perto de mim, tocando delicadamente com suas asas minha barriga. Aos poucos a manhã chega, e junto a ela o café vem aquecer e tirar o vazio que ficou logo após o meu acordar, espero que chegue a noite espero você voltar, enquanto isso penso em ti com carinho e anseio com um desejo do sonho não mais acabar!
Assinar:
Comentários (Atom)