As palavras são levadas pelo vento forte da tempestade. Ficam presas na natureza, em rochas e penhascos, em plantas carnívoras, caem em poços, em armadilhas e ardis.
Uma voz ouve-se no centro de mim: "És um néscio, um crente sem noção do rídiculo.
Crês como uma criança. Crês em palavras que servem de alimento a ratos e toda a espécie de animais rastejantes e nauseabundos, que se multiplicam".
Nesse momento, dou-me conta da minha condição humana, e odeio-me por ter sido tudo aquilo que desprezo. Por ser um crente peregrino, um sentimental profissional, um ingénuo sem emenda. Finalmente, a minha alma verte suor em forma de lágrimas, cansada, redimindo-se de ter cansado o corpo. A lavagem prossegue. A batalha está ganha e a guerra também o será.
Ouço a voz, agora benévola, acalmando o meu espiríto: "Não vai ser nada. Tudo passará. Verás: o tempo é teu amigo e te ajudará. A tempestade vai acalmar-se rapidamente".
Reconheço a voz. É a voz da dor. Ela tem razão. O vento já se amaina.
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