segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Lápide do ultimo amor.

Passeio por entre lápides de amores mortos, por cada parte que passo percebo alguns túmulos mais floridos do que outros, e começo a recordar de como eu queria que aquele com mais rosas não houvesse partido, pois ainda não era hora. (Mas não podia mais ficar, foi a ultima palavra que aquele amor me disse ao partir).
Outro que na lapide dizia assim: “Fiz tudo e você me deixou partir”; não tinha mais que um botão que nascera na própria terra, com a esperança de uma flor forte nascer dali ( Mas logo se percebia que não iria vigar.)
Ao longe percebo um homem cansado, com um ar triste a abrir uma nova cova, me aproximo cabisbaixa e pergunto: não se aproxima nenhum amor morto, por qual motivo está a cavar? Ele me respondeu em um tom irônico: Até eu consigo observar, logo em breve me trará um novo amor, não há de demorar, eu me chamo coração não tem como me enganar.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Vermelho Tomate

Ela sentiu um frio, junto a um arrepio... Ela riu em um tom suave... E não soube dizer, se foram apenas palavras ou um desejo a mais. Encravou suas unhas vermelho tomate em minha pele, fazendo escorrer meu sangue e contrastando com suas afiadas unhas, meu corpo tomou-se de uma dor prazerosa, quando ela me puxou mais pra perto e me abraçou.

CONTO DA DOR - Paulo

As palavras são levadas pelo vento forte da tempestade. Ficam presas na natureza, em rochas e penhascos, em plantas carnívoras, caem em poços, em armadilhas e ardis.
Uma voz ouve-se no centro de mim: "És um néscio, um crente sem noção do rídiculo.
Crês como uma criança. Crês em palavras que servem de alimento a ratos e toda a espécie de animais rastejantes e nauseabundos, que se multiplicam".
Nesse momento, dou-me conta da minha condição humana, e odeio-me por ter sido tudo aquilo que desprezo. Por ser um crente peregrino, um sentimental profissional, um ingénuo sem emenda. Finalmente, a minha alma verte suor em forma de lágrimas, cansada, redimindo-se de ter cansado o corpo. A lavagem prossegue. A batalha está ganha e a guerra também o será.
Ouço a voz, agora benévola, acalmando o meu espiríto: "Não vai ser nada. Tudo passará. Verás: o tempo é teu amigo e te ajudará. A tempestade vai acalmar-se rapidamente".
Reconheço a voz. É a voz da dor. Ela tem razão. O vento já se amaina.

Metade

Hoje tinha tanto pra te escrever, tanto pra te contar de tudo que anda se passando pela minha cabeça, é como se você fosse uma mola pra vários pensamentos bons, como se a sua "presença" desse asas a minha imaginação, é como se uma metade que faltava chegasse, uma metade de inspiração, metade de alegria, metade de uma outra metade que necessitava, que pedia uma "completude".
E assim se fez na minha vida, poesia da metade, prosa que entoa o violeiro, narrativa, dissertação. E tanto faz se a flor deixar de existir, se o padre partir, ou deixar de ouvir a canção, mas minha cara menina quero que saiba que em toda despedida ainda existe o desejo de uma volta, mas a flor, o padre e a canção nada importa, mas se partir me diz que volta, pois partindo a outra metade de mim se parte, e a que fica está morta.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Como o Bem é o mal.

Não vou propor perguntas cediças sobre o que acontece tão pouco especular sobre tal, e até mesmo é de certa forma invariavelmente inútil.
É verdade tenho anseios, mas tenho medo de mexer e subir toda a podridão ali contida, pois os mesmos olhos que enxergam o asco são os que contêm desejo, e quando ali dentro de um ângulo apenas parece ser algo belo e intocável, algo tão meu, tão meu que quero jogar fora, antes que já não seja meu e sim eu passe a ser apenas um objeto de seus caprichos, caprichos estes que me despertam pavor.
E com isto pratico interiormente todos meus atos de loucura diante a ela, mesmo os mais repugnantes e os que jamais alguém ousou imaginar. E é dentro de casulos de pensamentos, que corrôo o pequeno espaço que tenho, para depois poder sair de forma mais livre e mais bela, gracejando uma alma nova e repleta de um amor não assassino, devasso, egoísta e traidor de mim mesmo.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Escovas

Dos longos cabelos escovados a meia noite, partindo de um principio quase desastroso, chegando a um final sublime. Quando as palavras não tinham nexo e tão pouco as ações, corpos pequenos rolavam pela cama grande, em disposição sempre oposta, assim como as escovas de dente que se encontrava em seu banheiro.
Olhos brilhavam uma da manhã, nas vezes em que o oposto não bastava, e sempre com uma grande satisfação os corpos se tocavam, acariciavam e se amavam como a ultima vez.
Na distancia de uma cama, na imensidão de palavras e na oposição de sorrisos, já havia a historia, há havia um fato, já estava acabando mais um ato, mas seria este o ato final?
A madrugada é longa, os olhos se cerram, para poder chegar a manhã, e amanhã como será? Inicio sublime na manhã e um final desastroso?
Meia noite ela escova novamente seus cabelos longos, e as escovas em posições opostas.