Cascais, pedras e folhas ao vento, não são apenas ruas, são ruínas do tempo, aqui ficou toda minha felicidade, carinhos e destreza e no caminho me restou uma amarga solidão embalada por velhos murmúrios daquela rua.
Naquela rua habitava meu amor carregando aquele jarro na cabeça descendo a ladeira e cantando o que dizia nosso amor. Eu mais embaixo em um velho botequim lhe esperava todas as manhãs, só pra ver cantar e pra logo em seguida continuar a canção.
Quando passava ela dizia: Hoje é um novo dia e com ele renasce essa paixão, vem segue a melodia até não me ver mais o rio já está próximo então cante, cante mais alto para te ouvir até subir novamente.
Eu no meio da ladeira já quando quase não a ouvia lhe dizia gritando: um dia te tiro daqui, te levo pra mais longe deixa mais um raiar do dia fujo contigo daqui.
Até que consegui, arranquei-a da rua que embalava nosso amor, por mais que fosse simples a canção, o momento era o que nos trazia felicidade, mas mal sabia eu, pobre coitado, tirei ela de lá, dei-lhe uma vida que quase não pude dar.
Enquanto trabalhava ela ficava a me esperar, e o tempo foi passando, ela não estava agüentar,ela queria voltar para aquela rua, mas eu não quis voltar.
Ela então partiu, por orgulho fiquei, tentei lhe dar felicidade, mas na verdade nada lhe dei, o tempo passou vinte anos depois volto aqui e vejo que nada sobrou, apenas a canção que ecoa, estou no mesmo canto que a esperava, com esperança de vê-la descendo com o jarro na cabeça, dizendo que um novo dia raiou.
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ResponderExcluirPor mais que seja estilo, às vezes, a falta de pontuação, objetos e tempo verbal prejudica muito a compreensão e coerência do texto. =/
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